'Medicina do Desastre e Emergências Climáticas' é o tema da palestra magna da Jornada de Urgências e Emergências da AML
Foto: Freepik
Jornada da Associação Médica de Londrina acontece nos dias 7 e 8 de agosto; as inscrições já estão abertas e são gratuitas para médicos e acadêmicos de Medicina associados da AML
Por Comunicação AML- Infinita Escrita (Mariana Guerin)
As mudanças climáticas já são uma realidade cada vez mais presente na rotina dos serviços de saúde. Eventos extremos, como enchentes, ondas de calor, secas prolongadas, incêndios florestais e tempestades severas têm impactado diretamente a saúde das populações e desafiado a capacidade de resposta dos sistemas de atendimento.
Diante desse cenário, o urologista Dr. Frederico Fraga, diretor do Departamento de Urologia da AML e estudioso da área de Medicina do Desastre, vai apresentar a palestra magna que abrirá a Jornada de Urgências e Emergências da Associação Médica de Londrina (AML) na sexta-feira 7 de agosto, abordando o tema "Medicina do Desastre e Emergências Climáticas".
Segundo o especialista, a escolha do tema reflete uma necessidade cada vez mais urgente da medicina contemporânea. "As mudanças climáticas representam hoje um dos principais desafios de saúde pública deste século. A Medicina do Desastre é uma área consolidada em diversos países, mas ainda pouco difundida na formação médica brasileira. Precisamos discutir por que os profissionais e os serviços de saúde devem se preparar para essa nova realidade", afirma o Dr. Fraga.
Desafios para o sistema de saúde
Embora o Brasil conte com profissionais qualificados e uma estrutura de saúde robusta em muitas regiões, ainda existem desafios importantes quando o assunto é resposta a grandes desastres.
De acordo com o Dr. Frederico Fraga, muitos serviços de saúde ainda não possuem planos específicos para situações de calamidade, e a integração entre saúde, defesa civil e gestão pública precisa avançar.
"As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 demonstraram uma grande capacidade de mobilização dos profissionais de saúde, mas também revelaram vulnerabilidades do sistema. Foi uma demonstração clara de que precisamos investir mais em planejamento, treinamento e estrutura para enfrentar eventos dessa magnitude", destaca o médico.
Capacitação além do conhecimento clínico
Para atuar em cenários de desastre, o conhecimento técnico da especialidade médica, por si só, não é suficiente. A Medicina do Desastre exige preparo específico em áreas como gestão de crises, triagem de múltiplas vítimas, comando de incidentes, logística médica e coordenação de equipes multidisciplinares.
"Também é fundamental desenvolver habilidades de tomada de decisão sob pressão e compreender como atuar de forma integrada em situações de emergência coletiva", explica o médico.
Outro ponto abordado na palestra será o papel estratégico dos hospitais e serviços de urgência na construção de planos de resposta a emergências climáticas. De acordo com o Dr. Frederico Fraga, essas instituições precisam manter sua capacidade operacional mesmo quando toda a comunidade ao redor está sendo impactada por um desastre.
“Isso envolve a criação de planos de contingência, sistemas eficientes de comunicação, treinamento periódico das equipes e estratégias que garantam recursos essenciais, como energia elétrica, abastecimento de água, medicamentos e insumos.”
Impactos das mudanças climáticas na saúde
Além dos efeitos imediatos causados por desastres naturais, as mudanças climáticas também contribuem para o aumento de diversas doenças e condições médicas. Entre elas estão os agravos relacionados ao calor extremo, desidratação, complicações cardiovasculares e respiratórias, além da expansão de doenças transmitidas por vetores, como dengue e outras arboviroses.
O especialista destaca que eventos climáticos extremos também favorecem surtos de doenças de transmissão hídrica e podem desencadear importantes impactos na saúde mental da população, especialmente entre grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças e pacientes com doenças crônicas.
Apesar da relevância crescente do tema, a Medicina do Desastre ainda ocupa espaço limitado na formação médica brasileira. Algumas instituições já começam a incorporar conteúdos relacionados às mudanças climáticas e à resposta a desastres, mas o especialista defende que o assunto seja inserido de forma mais estruturada na graduação, na residência médica e nos programas de educação continuada.
Para o Dr. Frederico Fraga, eventos científicos como a Jornada de Urgências e Emergências da AML desempenham papel fundamental na preparação dos profissionais de saúde para os desafios que já se apresentam.
"As emergências climáticas exigem uma abordagem multidisciplinar e colaborativa. Discutir esses temas em jornadas e congressos permite disseminar conhecimento atualizado, promover a troca de experiências e fortalecer redes de cooperação. Precisamos preparar os profissionais para responder a eventos que, infelizmente, tendem a se tornar cada vez mais frequentes", conclui.
A Jornada de Urgências e Emergências da Associação Médica de Londrina será realizada nos dias 7 e 8 de agosto, reunindo especialistas de diversas áreas para discutir os principais desafios da assistência em situações críticas e emergenciais. As inscrições já estão abertas e são gratuitas para os associados da AML, reforçando o compromisso da entidade com a atualização científica e a educação médica continuada.
Serviço
Jornada de Urgências e Emergências da AML
🗓️ 7 (sexta) e 8 (sábado) de agosto de 2026
📍 Sede da AML (Avenida Harry Prochet, 1055) e Casa da Amizade, do Rotary Club de Londrina, que fica ao lado da sede
🎓 Programação com palestras, debates e atualização científica sobre os principais temas da medicina de urgência e emergência
✅ Inscrições gratuitas para associados da AML
🔗 Inscreva-se aqui: JORNADA DE URGÊNCIAS E EMERGÊNCIAS AML 2026